O uso da telemedicina na prática da anestesia

Por dr. Antonio Luis Diego

A telemedicina não é um método novo de se fazer medicina, nem entre nós. O prefixo “tele”, como em televisão e telefone, refere-se à atividade à distância. Os dois meios de comunicação mencionados há muito tempo servem como veículos que, de certo modo, atuam na prática da medicina ao “encurtar” a distância física e, por conseguinte, o tempo necessário para alguma orientação que, muitas vezes, pode até vir a salvar vidas.

Por outro lado, quantos aos programas televisivos sobre saúde que são exibidos diuturnamente em meios de comunicação, como rádio e televisão, pode-se dizer que não são personalizados, mas não deixam de ser, quando éticos e bem apresentados, uma parte importante da medicina preventiva. Hoje, por meio dessas mídias, a população obtém informações importantes para escolhas pessoais sobre a sua saúde, de seus familiares e até comunidades inteiras.

A questão da telemedicina que por ora se impõe é a utilização regular e regulamentada da prática médica no “stricto senso”, seja na realização de uma consulta pré-anestésica, ou no seguimento de pacientes em clínicas de dor, por exemplo. Apesar de ter se tornado uma realidade nesses tempos da Covid-19, com o distanciamento social, tornando-se uma medida de saúde pública, a Resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM) 1643/2002 já estabelecia alguns critérios importantes para a sua realização seguindo a Declaração de Tel Aviv na 51ª Assembleia Geral da Associação Médica Mundial em 1999 que definia a telemedicina como  o exercício da medicina à distância, cujas intervenções, diagnósticos, decisões de tratamento e recomendações estão baseadas em dados, documentos e outra informação transmitida através de sistemas de telecomunicação”. Nesse conceito, portanto, a telemedicina não é considerada apenas uma ferramenta, mas a utilização de recursos digitais intensivos para ampliar os serviços, a logística e os cuidados de saúde aos pacientes (Chao L W/2018).

A Lei Nº 13,979, de fevereiro de 2020, que dispõe sobre as medidas para enfrentamento da emergência de saúde (Covid-19), e a Portaria do Ministério da Saúde Nº467, de março de 2020, são os marcos jurídicos que abonam a realização da teleconsulta, da teleorientação e do telemonitoramento, ainda que em caráter excepcional.

São diversos os aspectos que denotam estudo e regulamentação na telemedicina, não apenas o técnico e de certificação, mas muitos outros que vão desde os aspectos éticos, jurídicos até o remuneratório.

A SBA vem atuando sobremaneira para que todos esses pontos sejam abordados e bem compreendidos por todos os associados. Com essa finalidade foi criada uma Comissão Temporária de Telemedicina e Inovação que continuará os trabalhos que já vinham sendo realizados anteriormente. Essa comissão acompanhará os avanços nesse campo, assim como a regulamentação que está sendo estuda pelo Conselho Federal de Medicina.


10 passos para a teleconsulta pré-anestésica (TCPA)

Por dr. Antônio Roberto Carraretto

Com a chegada da pandemia, a anestesiologia sofreu grandes mudanças na prática e entre elas a da Avaliação Pré-Anestésica (APA).

1- Escolher uma plataforma de comunicação com os requisitos da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) para o armazenamento dos dados da consulta e comunicação por áudio e vídeo(1). As plataformas de mídias sociais, sem estes requisitos, não devem ser utilizadas.

2- Escolher um sistema capaz de gerar uma documentação, a ser enviada para o paciente, que deve constar no mínimo de: 1) Ficha de APA (FAPA) com o registro da Avaliação Clínica durante a coleta de dados do paciente; 2) Orientações sobre o período pré-operatório, como: jejum, uso das medicações e outras julgadas importantes; 3) Termo de Consentimento Livre e Esclarecido sobre o ato anestésico(2) .

3- Apresentar-se e identificar o paciente, solicitando a permissão para a gravação, caso ocorra. A linguagem da comunicação deve ser clara e adequada ao nível de entendimento do paciente (ou seu auxiliar).

4- Desenvolver o relacionamento médico-paciente explicando-lhe: 1) como transcorrerá a consulta e que vai auxiliá-lo (inclusive nas dificuldades técnicas); 2) que o anestesiologista do ato irá verificar as informações e reexaminá-lo e 3) que está disponível para o esclarecimento de dúvidas.

5- Verificar e anotar na FAPA a história clínica, as observações de outros médicos, as medicações em uso, histórias de alergias, procedimentos anestésicos anteriores e eventos de importância e a história familiar (2).

6- O exame físico, apesar de possível na maioria das consultas, pode ser limitado pela qualidade das imagens durante a conexão, bem como pelo grau de entendimento do paciente. Na via aérea podemos avaliar a abertura da boca (inserção dos 3 dedos), mordedura do lábio superior, alinhamento da arcada dentária superior com a inferior, presença de próteses móveis e implantes, visão geral do pescoço com flexão e extensão. Poderão ser observadas e anotadas outras alterações indicadas pelo paciente.

7- A verificação dos resultados dos exames complementares poderá ser realizada por: 1) envio prévio dos exames, pelo paciente na plataforma apropriada; 2) informações do paciente de que o médico já viu e atestou normalidade; 3) leitura de exames específicos, baseados na história clínica (quanto está a sua glicose?). A visualização dos papéis, pela câmera do paciente, de forma rotineira não é prática. Informar que os exames serão revistos pelo anestesiologista (2).

8- Pacientes pediátricos, dependendo da idade, devem ser auxiliados pelos pais ou responsável, identificado e anotado, para melhor precisão das informações (3). Pacientes idosos, sem capacidade de operar a tecnologia, podem ser auxiliados por pessoa de confiança, também identificados e anotados. Na ocasião, a verificação do grau de fragilidade e limitações pode determinar a condução para uma consulta presencial (4) .

9- Ao fim da consulta, verificar o entendimento da consulta com as perguntas: 1) O Sr./Sra. acha que eu perguntei tudo sobre sua saúde ou tem mais alguma coisa para acrescentar? 2) Conseguiu entender tudo o que conversamos ou ainda tem alguma dúvida? 3) Posso ajudar em algo mais?

10- Antes de encerrar, esclarecer sobre como serão enviados os documentos a serem impressos a levados no dia do procedimento e finalizando: 1) verifique o grau de entendimento e satisfação do paciente; 2) agradeça a oportunidade de atendê-lo; 3) disponibilize-se para outro atendimento.

– A TCPA, apesar de suas limitações, deverá permanecer na prática, mas não hesite em encaminhar para o atendimento presencial caso se sinta impossibilitado de proceder a avaliação. Neste momento, só atendemos pacientes de estado físico ASA I e II (5) . Os preceitos éticos e a obediência as regulamentações são as mesmas do atendimento presencial.

– A prática desta rotina permite a realização de uma APA eficiente e com um sorriso de satisfação e agradecimento por uma imensa maioria dos pacientes.


Referências Bibliográficas

1- Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD -2018/19)
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2018/Lei/L13709compilado.htm (acessado em: 11/06/2021)

2- CFM: Resolução 2.174/2017, https://sistemas.cfm.org.br/normas/visualizar/resolucoes/BR/2017/2174  (acessado em: 11/06/2021)

3- CFM Parecer 25/2013, https://sistemas.cfm.org.br/normas/visualizar/pareceres/BR/2013/25  (acessado em: 11/06/2021)

4- Rodrigues, M.K. et al. J Frailty Aging. 2021;10(1):38-43.

5- SBA: Recomendações da SBA para teleconsulta pré-anestésica para cirurgias eletivas durante a vigência da Covid-19:

https://www.sbahq.org/recomendacoes-da-sba-para-teleconsulta-pre-anestesica-para-cirurgias-eletivas-durante-a-vigencia-da-covid-19/  (acessado em: 11/06/2021)


Plataforma de telemedicina é parceira do Clube de benefícios SBA

Por dr. Pablo Britto Detoni
Na hora de escolher a plataforma, é fundamental o planejamento. Não realizar consultas improvisadas pelo telefone ou aplicativos que, apesar da facilidade, pode não ter segurança.

 A SBA fechou uma parceria com a CONEXA, empresa especializada em teleconsulta médica no intuito de dar uma opção para o sócio SBA.

As consultas pré-anestésicas podem ser realizadas no modelo “Freemium” da empresa, que é gratuito e atente os 5 princípios básicos para a tele consulta: Confidencialidade, integridade, disponibilidade dos dados, conformidade e a autenticidade.

Descrição da parceria:

O iMedicina é a solução da Conexa com todas as ferramentas digitais que o médico precisa para garantir ao seu paciente a melhor experiência. Com o iMedicina, o sócio SBA terá acesso a agenda, prontuário e prescrição eletrônicos, telemedicina, agendamento on-line, gestão financeira, entre outras funcionalidades gratuitamente.


Webinários: agenda de 15/6 a 19/6

Data: 15/6/2021 – 19h
Tema: Equipamentos: Monitores Hemodinâmicos
Palestrante: dr. Rodrigo Pereira Diaz André (RJ)
Apresentadora: dra. Maria Angela Tardelli (SP)
Moderador: dr. Otávio Damázio Filho (PE)

É necessário assistir pelo menos 70% do Webinar para fins de pontuação no CEPE-A e emissão do certificado.


Data: 15/06/2021 – 20h30
Tema: Hot Topics – Anestesia Ambulatorial
Palestrantes: dr. André de Jesus Barreto,dr. Luiz Marciano Cangiani e dr. Luis Henrique Cangiani
Coordenação: dr. Felipe Souza Thyrso de Lara

É necessário assistir pelo menos 70% do Webinar para fins de pontuação no CEPE-A e emissão do certificado.


Data: 16/6/2021 – 19h
Tema: Equilíbrio Ácido-Básico
Palestrante:
dr. Antonio Carlos Aguiar Brandão (MG)
Apresentador:
dr. Jedson dos Santos Nascimento (BA)
Moderador:
dra. Flora Margarida Barra Bisinotto (MG)

É necessário assistir pelo menos 70% do Webinário para fins de pontuação no CEPE-A e emissão do certificado.


Data: 17/06/2021 – 19h
Tema: Anestesia para Cirurgia Vascular de Grande Porte, Endovascular e em Hemodinâmica
Palestrante: dra. Alexandra Rezende Assad (RJ)
Apresentador: dr. Marcos Antonio Costa de Albuquerque (SE)
Moderadora: dra. Márcia Adriana Dias Meirelles Moreira (PB)

É necessário assistir pelo menos 70% do Webinário para fins de pontuação no CEPE-A e emissão do certificado.


Data: 17/06/2021 – 20h30
Tema: Redes de Pesquisa para Estudos Multicêntricos
Palestrante: dra. Claudia Marquez Simões (SP)
Moderador: dr. Vinícius Caldeira Quintão (SP)
Webinário com tradução para o espanhol

É necessário assistir pelo menos 70% do Webinar para fins de pontuação no CEPE-A e emissão do certificado.


Data: 19/06/2021 – 10h
Tema: Módulo IV – A Ética, a Moral e o Respeito à Dignidade da Pessoa Humana no Contexto da Assistência à Saúde
Organizadores: dr. Luis Antonio dos Santos Diego e dr. Celso Papaleo
Palestrantes:

  • Dr. Celso Papaleo
    Tema: A sociedade contemporânea e a esperada justiça social. Teoria da perda de uma chance na avaliação da responsabilidade médica.
  • Dr. Desiré Carlos Callegari
    Tema: Noções de Ética. Diferenças e semelhanças entre ética e moral

    Moderadora: dra. Paula Fialho Saraiva Salgado
    Debatedores: dr. Luis Antonio dos Santos Diego e dr. José Abelardo Garcia de Meneses

É necessário assistir pelo menos 70% do Webinário para fins de pontuação no CEPE-A e emissão do certificado.

Data: 19/06/2021- 14h30
Tema: O Autocuidado em Debate
Apresentador: dr. Marcos Antonio Costa de Albuquerque
Palestrantes: Antonio Juviniano Santana de Aragão, Frederich Marcks Abreu de Góes e Laura J.G. Monteiro Ribeiro
Moderador: Marcos Antonio Costa de Albuquerque

É necessário assistir pelo menos 70% do Webinar para fins de pontuação no CEPE-A e emissão do certificado.

Este webinário é patrocinado pela Aspen Pharma

 


WAO discute anafilaxia

O World Allergy Week de 2021, que será realizado entre os dias 13 e 19 de junho pela World Allergy Organization, tem como foco a discussão em torno da Anafilaxia.

O tema já vem sendo trabalhado desde o ano de 2019 por meio de um esforço conjunto da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI) e da Sociedade Brasileira de (SBA) na condução de Anafilaxia Perioperatória,  qual deu origem ao Projeto Anafilaxia que visa apoiar a discussão e avaliação pós-crise dos casos suspeitos para maior segurança do paciente.

Para tal, especialistas da ASBAI e da SBA reuniram-se com o objetivo de intensificar a colaboração entre as duas sociedades no estudo desse tema e elaborar um documento conjunto que possa guiar os especialistas de ambas as áreas.

Ao todo, dois artigos foram publicados na BJAN e trouxeram evidências mais recentes alicerçadas na visão colaborativa entre as sociedades. O primeiro artigo versa sobre as definições mais atuais, formas de tratamento e as orientações após a crise no perioperatório. O próximo artigo discutiu os principais agentes causais e a condução da investigação com testes apropriados.

Artigo 1: Atualização sobre reações de hipersensibilidade perioperatória: Documento conjunto da Sociedade Brasileira de Anestesiologia (SBA) e Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI) – Parte I: Tratamento e orientação pós-crise

Artigo 2:  Atualização sobre reações de hipersensibilidade perioperatória: documento conjunto da Sociedade Brasileira de Anestesiologia (SBA) e Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI) – parte II: etiologia e diagnóstico


Taso 2021: marque na agenda!

As inscrições para o Teste de Autoavaliação On-line da SBA (Taso) podem ser realizadas das 10h do dia 17/6/2021 até às 23h59 do dia 24/6/2021
> Inscrições abertas

O TESTE

O Taso será realizado no dia 28/6/2021, com duração de 1h, e possibilidade de início do teste a qualquer momento entre 8h e 22h.

O teste contará com 25 questões envolvendo diversos pontos do programa teórico do TSA 2021. Ao final, o candidato receberá um percentual sobre os acertos, dividido nos macropontos do programa da prova 2021.

No dia 30/6, às 20h30, haverá um webinário para a discussão da prova

SOBRE O PROJETO

O Teste de Autoavaliação On-line da SBA (Taso) é um exame de conhecimentos teóricos que possibilitará uma autoavaliação do sócio que pretende participar da prova do TSA. Este é o segundo ano da realização do exame sem custo adicional ao sócio da SBA.