Conheça as ações da SBA para a segurança do paciente

Por dr. Luis Antonio Diego
Diretor do Departamento de Defesa Profissional da SBA

O Conselho de Defesa Profissional da SBA reuniu-se no final de junho 2021 para a apresentação das realizações no período e para discutir as futuras ações até o final do ano. O balanço foi muito positivo, com diversas atividades que obtiveram retorno assertivo. Esse mesmo canal, o Boletim Minuto vem sendo acessado por centenas de colegas, assim como o SBA podcast, ambos são divulgados quinzenalmente e informam aos colegas temas da qualidade e segurança em anestesia.

Também temos presença ativa na Anestesia em Revista, a publicação trimestral da SBA. No último número, divulgado no dia 9 de julho, fizemos uma síntese do trabalho que a Comissão Temporária de Telemedicina e Inovação veio realizando no período. Vale conferir!

A Comissão de Qualidade e Segurança em Anestesia também vem realizando um belíssimo trabalho. No mês de junho, sob a coordenação da dra. Michelle Nacur, foi realizado um webinário sobre a Segurança do Paciente, no qual houve o lançamento do aplicativo Emergências em Anestesia.

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Durante o webinário houve a oportunidade de se discutir temas relevantes sobre a segurança do paciente e, principalmente, no engajamento dos anestesiologistas nas atividades do Dia Mundial da Segurança do Paciente, que irão ocorrer em 17 de setembro deste ano. A SBA também irá participar com diversas outras associações e entidades da Aliança Mundial da Segurança do Paciente cuja programação será lançada muito em breve.

A Comissão de Saúde Ocupacional está envolvida na elaboração das atividades do Simpósio de Saúde Ocupacional (SISO) que acontecerá em 21 do próximo mês. Teremos diversos temas a serem abordados, mas a sustentabilidade ambiental e como isso já afeta o nosso cotidiano e comprometerá a nossa e próximas gerações se medidas de preservação ambiental importantes, não só globais e governamentais, mas também locais e individuais, forem implementadas.

Além disso, participamos do coletivo MEDICOVID, que reúne um grupo de sociedades para orientar e discutir a segurança dos medicamentos, principalmente quando falamos em rotulagem e embalagens. Também integram o grupo: ABRAMEDE, AMIB, ISMP, REBRAENSP, SBRAFH e a SOBRASP.

São muitas as atividades que a Defesa Profissional tem participado. Estamos atuando junto com a AMB e o IBDM na defesa do nosso trabalho. Nesse aspecto, são muitos os frutos que o Núcleo de Gestão do Trabalho de Anestesiologista (NGTA), está colhendo, pois todos os meses são oferecidas ao anestesiologista oportunidades de discutir as dificuldades nas relações de trabalho com as operadoras e estabelecimentos de saúde, mas especialmente o que nós, profissionais, podemos contribuir para aumentarmos nosso valor como profissional e também expô-lo a todas as partes envolvidas.

Por fim, continuamos com a Assessoria Jurídica que vem trabalhando muito e respondendo às solicitações dos nossos sócios. O Curso Jurídico vem colocando em pauta muitas das dúvidas que coletamos nas demandas jurídicas.


Gerenciamento da Anestesia Segura

Por dr. Airton Bagatini
TSA-SBA
Responsável pelo CET do SANE
Coordenador da Perspectiva Assistencial do Hospital Ernesto Dornelles de Porto Alegre (RS)
Presidente da SBA – Gestão 2013.

Não restam dúvidas de que os avanços na área da saúde, especialmente no âmbito diagnóstico e cirúrgico, trouxeram benefícios extraordinários para o tratamento de patologias inimagináveis no passado. Porém, estes avanços não são isentos de riscos associados e gerenciá-los é o desafio nas perspectivas atuais.

Neste sentido, a Segurança do Paciente, conceituada como redução a um mínimo aceitável do risco de dano desnecessário associado ao cuidado em saúde ganha espaço e notoriedade. Inúmeras Fundações governamentais e não governamentais, Associações, Redes e Institutos preocupados e interessados no tema foram criadas e a partir destas ações de melhorias, campanhas, protocolos e iniciativas foram propostas visando minimizar o impacto dos erros nas instituições de saúde, garantindo segurança ao paciente, ao profissional de saúde e à própria instituição.

Na prática atual, os resultados destas ações ainda estão longe do ideal e a Segurança do Paciente é considerada um grave problema de saúde pública. O complexo segmento da saúde segue operando com um baixo grau de confiabilidade e os pacientes sofrendo danos preveníveis durante o seu processo assistencial.

A assistência cirúrgica tem papel fundamental neste contexto. Estima-se que mundialmente sejam realizadas 187 a 281 milhões de cirurgias por ano e os resultados alertam para a necessidade urgente de mudança: sete milhões de pacientes cirúrgicos apresentam complicação decorrente do procedimento; a cada quatro pacientes cirúrgicos, um sofre alguma complicação perioperatória; dos eventos adversos em pacientes hospitalizados, em média 50% estão relacionados a cirurgia; a mortalidade varia de 0,4 a 0,8% nos países desenvolvidos e de 5 a 10% naqueles em desenvolvimento; e, 50% das complicações são consideradas evitáveis.

As causas para a ocorrência destes eventos são multifatoriais. Diferentemente do passado, quando se creditava unicamente ao profissional envolvido a culpa pelo incidente, hoje sabe-se que falhas nos processos de trabalho, estrutura física inadequadas das organizações, falhas de comunicação, sobrecarga, distrações e o trabalho solitário do médico são alguns dos fatores que contribuem para a insegurança nas instituições de saúde. Em comparação com uma década atrás, agora temos uma boa compreensão da fenomenologia do erro e do dano.

Na busca por estratégias que de fato garantam uma assistência segura aos pacientes bem como melhorias sustentadas e generalizadas para os sistemas de saúde, partilhar de uma cultura de segurança emerge como um requisito essencial a ser desenvolvido e aprimorado. A segurança deve ser vista através dos olhos dos pacientes e gerenciada com uma visão estratégica e ampla, não simplesmente pontuada em falhas específicas.


Dra Rosa Avilla: conectando a anestesiologia e a música

No último sábado (17), durante a abertura do 2º Congresso Brasileiro de Inovação e Gestão em Saúde, a SBA fez o lançamento do videoclipe em homenagem aos anestesiologistas do Brasil.  O vídeo é um projeto desenvolvido em conjunto com a dra. Rosa Avilla, anestesiologia e intérprete, que compôs, junto com o maestro e compositor David Pasqua, a canção “Sopro de Vida”, especialmente desenhada para abordar o trabalho do anestesiologista no enfrentamento à Covid-19, retrata o quão incansáveis foram e continuam sendo nesta realidade que emplacou o Brasil.

Dra. Rosa acredita que os anestesiologistas são parte importante da vida das pessoas “Somos parte integrante da vida das pessoas desde o seu nascimento, desde seu primeiro sopro de vida, e raramente alguém se lembra da gente”.

Confira abaixo a entrevista feita com a dra. Rosa, na qual ela fala um pouco sobre como a carreira como artista e sobre o seu processo criativo.


SBA: A senhora compartilhou conosco que a música sempre foi algo presente em sua vida, mas que acabou se afastando por conta da medicina, então como foi esse retorno após tantos anos? 

Dra. Rosa Avilla: A música é poderosa e ciumenta, mas qualquer dom exige que você faça algo com ele para devolvê-lo ao mundo. Sempre estive perto da música, porém mais longe do que um dom ou um sonho exigem.

Estudei canto erudito por 10 anos e a técnica ficou adormecida. Precisava estimulá-la.  Há cerca de 2 anos, com meus filhos já formados, conheci meu produtor musical, o maestro e compositor David Pasqua. Foi o acaso, ou talvez, o universo conspirando positivamente. A partir de então passei a montar repertórios populares e a me apresentar em casas em São Paulo, sempre lotadas de amigos incrédulos. Mesmo com a pandemia, estudei e aprimorei técnicas de transmissão, produzi muita música e tenho um programa de variedades no Youtube. Comecei a fazer trabalhos muito sérios e não pretendo parar mais!


SBA: Imagino que não seja fácil conciliar a carreira médica com a de artista, qual o segredo? 
RA: O segredo, na verdade, não é segredo. A mesma recomendação de sempre e foi assim por toda a minha vida pessoal e profissional: determinação, trabalho e completa ausência de preguiça! Para alcançar um objetivo, qualquer que seja ele… Como, por exemplo, passar no TSA, precisa MUITA dedicação.


SBA: A SBA a convidou para compor e produzir um videoclipe em homenagem aos anestesiologistas. Poderia nos contar um pouco sobre o processo criativo? 
RA: O convite foi feito há muitos meses, logo depois do jingle e clipe que também compus para a Sociedade Brasileira de Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista para a campanha “Mulheres Também Infartam”. O dr. Takaschima (dr. Augusto Takaschima, diretor presidente da SBA) acreditou que nós anestesiologistas, que sempre vivemos nos bastidores e que ganhamos notoriedade nesta pandemia, merecíamos um carinho. E foi pensando em fazer um carinho que surgiu letra e melodia. A inspiração foi genuína e veio da sinceridade. Meu produtor musical, David Pasqua, com sua expertise de músico, finalizou o projeto musical.


SBA: Qual a mensagem central o clipe passa?
RA: A mensagem diz respeito à nossa importância enquanto anestesiologistas: somos parte integrante da vida das pessoas desde o seu nascimento, desde seu primeiro sopro de vida, e raramente alguém se lembra da gente. Nesta pandemia, saímos um pouco do ostracismo e trabalhamos muito duro, creio que ainda sem o reconhecimento devido e necessário da sociedade leiga. Mas eu queria mesmo é dar luz à especialidade e à nossa própria consciência da nossa importância enquanto médicos e especialistas dedicados!


SBA: Gostaria de acrescentar alguma informação? 
RA: A vida é feita de sonhos e projetos. Queria convidar meus colegas a construírem e buscarem os seus. Quem teve Covid, quem trabalhou com pacientes Covid e sua gravidade, quem é anestesista e todos os dias se depara com a tênue linha que separa o momento em que você existe de fato e, num segundo, ficou apenas na memória das pessoas, precisa acreditar que ter sonhos e projetos tem que ser AGORA. Não podemos nos dar ao luxo de deixá-los para depois. O amanhã começa hoje.

Aldir Blanc, médico psiquiatra que faleceu de Covid dizia: “Batidas na porta da frente, é o tempo”…. Que resposta você tem a dar ao tempo?


Veja o clipe abaixo

Intérprete: dra. Rosa Avilla
Composição: David Pasqua e dra Rosa Avilla
Piano: David Pasqua​
Produção: Fábrica Produções Musicais​
Direção: David Pasqua​ Realização: SBA

Letra

Ouça a minha mensagem​
De força e coragem
Em zelar por alguém
Calma, são dias pesados​
De luta incessante
De quem quer o bem.​

Creio que falta pouco​
Pro dia de sol enfim chegar.​
Canta, serão só lembranças
As noites insones,
Tudo vai passar.​

Por tuas mãos nasce saúde, sopro de vida, despertar.​


O uso da telemedicina na prática da anestesia

Por dr. Antonio Luis Diego

A telemedicina não é um método novo de se fazer medicina, nem entre nós. O prefixo “tele”, como em televisão e telefone, refere-se à atividade à distância. Os dois meios de comunicação mencionados há muito tempo servem como veículos que, de certo modo, atuam na prática da medicina ao “encurtar” a distância física e, por conseguinte, o tempo necessário para alguma orientação que, muitas vezes, pode até vir a salvar vidas.

Por outro lado, quantos aos programas televisivos sobre saúde que são exibidos diuturnamente em meios de comunicação, como rádio e televisão, pode-se dizer que não são personalizados, mas não deixam de ser, quando éticos e bem apresentados, uma parte importante da medicina preventiva. Hoje, por meio dessas mídias, a população obtém informações importantes para escolhas pessoais sobre a sua saúde, de seus familiares e até comunidades inteiras.

A questão da telemedicina que por ora se impõe é a utilização regular e regulamentada da prática médica no “stricto senso”, seja na realização de uma consulta pré-anestésica, ou no seguimento de pacientes em clínicas de dor, por exemplo. Apesar de ter se tornado uma realidade nesses tempos da Covid-19, com o distanciamento social, tornando-se uma medida de saúde pública, a Resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM) 1643/2002 já estabelecia alguns critérios importantes para a sua realização seguindo a Declaração de Tel Aviv na 51ª Assembleia Geral da Associação Médica Mundial em 1999 que definia a telemedicina como  o exercício da medicina à distância, cujas intervenções, diagnósticos, decisões de tratamento e recomendações estão baseadas em dados, documentos e outra informação transmitida através de sistemas de telecomunicação”. Nesse conceito, portanto, a telemedicina não é considerada apenas uma ferramenta, mas a utilização de recursos digitais intensivos para ampliar os serviços, a logística e os cuidados de saúde aos pacientes (Chao L W/2018).

A Lei Nº 13,979, de fevereiro de 2020, que dispõe sobre as medidas para enfrentamento da emergência de saúde (Covid-19), e a Portaria do Ministério da Saúde Nº467, de março de 2020, são os marcos jurídicos que abonam a realização da teleconsulta, da teleorientação e do telemonitoramento, ainda que em caráter excepcional.

São diversos os aspectos que denotam estudo e regulamentação na telemedicina, não apenas o técnico e de certificação, mas muitos outros que vão desde os aspectos éticos, jurídicos até o remuneratório.

A SBA vem atuando sobremaneira para que todos esses pontos sejam abordados e bem compreendidos por todos os associados. Com essa finalidade foi criada uma Comissão Temporária de Telemedicina e Inovação que continuará os trabalhos que já vinham sendo realizados anteriormente. Essa comissão acompanhará os avanços nesse campo, assim como a regulamentação que está sendo estuda pelo Conselho Federal de Medicina.


Plataforma de telemedicina é parceira do Clube de benefícios SBA

Por dr. Pablo Britto Detoni
Na hora de escolher a plataforma, é fundamental o planejamento. Não realizar consultas improvisadas pelo telefone ou aplicativos que, apesar da facilidade, pode não ter segurança.

 A SBA fechou uma parceria com a CONEXA, empresa especializada em teleconsulta médica no intuito de dar uma opção para o sócio SBA.

As consultas pré-anestésicas podem ser realizadas no modelo “Freemium” da empresa, que é gratuito e atente os 5 princípios básicos para a tele consulta: Confidencialidade, integridade, disponibilidade dos dados, conformidade e a autenticidade.

Descrição da parceria:

O iMedicina é a solução da Conexa com todas as ferramentas digitais que o médico precisa para garantir ao seu paciente a melhor experiência. Com o iMedicina, o sócio SBA terá acesso a agenda, prontuário e prescrição eletrônicos, telemedicina, agendamento on-line, gestão financeira, entre outras funcionalidades gratuitamente.


O que os olhos não veem…

Por dra. Aline Yuri Chibana

O ato anestésico-cirúrgico foi um “sucesso”, você extuba o seu paciente e o encaminha à sala de recuperação anestésica (SRA). Posteriormente, um colega seu dará a alta para o leito enquanto você já está realizando outra anestesia. O dia se passa, a semana, o mês. Foram dias bons sem nenhuma intercorrência, você pondera.

Mas será mesmo?  O quanto sabemos dos nossos pacientes a partir do momento que os tiramos da sala de cirurgia? O que acontece com eles na SRA, enfermaria, em casa?

Sessler avaliou em sua publicação que a mortalidade intraoperatória por causa anestésica decaiu tanto nas últimas décadas que a pós-operatória em 30 dias chega a ser 1.000 vezes maior (1).

Análises do ASA Closed Claims mostram que 5 a 7% dos processos judiciais estavam relacionados à SRA e que quase 70% resultaram de complicações respiratórias e vias aéreas. Erros ou atrasos diagnósticos foram citados em mais da metade dos casos (2).  Sabemos ainda que à medida que o paciente se afasta de nossos cuidados, da sala de cirurgia, para a SRA e depois a enfermaria, a mortalidade aumenta em decorrência de uma complicação; 44,8%, 51% e 64,7%, respectivamente (3).

Some a isso o fato de que um paciente que apresente algum incidente na SRA como hipotensão, dessaturação ou sedação terá mais chances de necessitar do acionamento do time de resposta rápida na enfermaria (OR  3.08, 2.21 e 10.67, respectivamente)(4).

Mas é claro, o acionamento ocorrerá se a enfermagem o detectar a tempo. Outro estudo de Sessler, que avaliou 833 pacientes pós-cirúrgicos, encontrou que episódios hipoxêmicos são muito comuns e persistentes e que 90% deles não são identificados pela enfermagem (5). De fato, mais da metade de todos os eventos cardiorrespiratórios ocorrem na enfermaria, com mortalidade superior a 40% (6).

Identificar pacientes de risco é fundamental para garantir uma recuperação segura. Estudos recentes mostram que pacientes masculinos, acima de 60 anos, virgens de opioide, com desordens do sono e/ou insuficiência cardíaca possuem riscos elevados de depressão respiratória induzida por opioides, por exemplo. A simples oferta de O2 suplementar diminuiu a incidência de 46% para 8%! (6).

Estamos habituados a realizarmos um planejamento meticuloso para o manejo intraoperatório. Por que não estender este planejamento para além do centro cirúrgico?.

Se o que os olhos não veem, o coração não sente; o cérebro sabedor de todos estes dados poderá nos guiar para elevar a segurança anestésica no perioperatório.

Referências

  1. Sessler DI, Khanna AK. Perioperative myocardial injury and the contribution of hypotension. Intensive Care Med. 2018;44(6):811-22.
  2. Kellner DB, Urman RD, Greenberg P, Brovman EY. Analysis of adverse outcomes in the post-anesthesia care unit based on anesthesia liability data. J Clin Anesth. 2018 Nov;50:48-56. doi: 10.1016/j.jclinane.2018.06.038. Epub 2018 Jun 29. PMID: 29979999.
  3. Bocanegra-Rivera JC, Arias-Botero JH. Caracterización y análisis de eventos adversos en procesos cerrados de anestesiólogos apoderados por la Sociedad Colombiana de Anestesiología y Reanimación (S.C.A.R.E.) en Colombia entre 1993–2012. Rev Colomb Anestesiol. 2016;44:201–208
  4. Petersen Tym MK, Ludbrook GL, Flabouris A, Seglenieks R, Painter TW. Developing models to predict early postoperative patient deterioration and adverse events. ANZ J Surg. 2017 Jun;87(6):457-461. doi: 10.1111/ans.13874. Epub 2017 Feb 1. PMID: 28147435.
  5. Sun Z, Sessler DI, Dalton JE, Devereaux PJ, Shahinyan A, Naylor AJ, Hutcherson MT, Finnegan PS, Tandon V, Darvish-Kazem S, Chugh S, Alzayer H, Kurz A. Postoperative Hypoxemia Is Common and Persistent: A Prospective Blinded Observational Study. Anesth Analg. 2015 Sep;121(3):709-15. doi: 10.1213/ANE.0000000000000836. PMID: 26287299; PMCID: PMC4825673.
  6. Khanna, Ashish K et al. “Prediction of Opioid-Induced Respiratory Depression on Inpatient Wards Using Continuous Capnography and Oximetry: An International Prospective, Observational Trial.” Anesthesia and analgesia 131,4 (2020): 1012-1024. doi:10.1213/ANE.0000000000004788

Os impactos do excesso laboral do anestesiologista na qualidade e segurança

Por dr. Luis Antonio dos Santos Diego

A segunda onda da Covid-19 vem sobrecarregando o sistema de saúde e, por conseguinte, comprometendo a saúde do profissional que estão cotidianamente expostos ao SARS-CoV2 em situações de intenso estresse. Esse excesso laboral, fator relevante para o esgotamento profissional, vem levantando preocupações sobre sua participação na qualidade e segurança do paciente.

Essa relação não é recente, Dyrbye et al. há dez anos reconhecia que o physician burnout era uma ameaça potencial ao atendimento de qualidade1. Burnout pode ser definido como uma síndrome psicológica determinada por exposição prolongada a estressores interpessoais crônicos no ambiente de trabalho. Seus principais sintomas são: exaustão avassaladora, desmotivação no trabalho com sensação de ineficácia e de falta de realizações. Muitos aspectos do atendimento ao paciente podem ser comprometidos por profissionais acometidos por burnout, principalmente a empatia e redução na satisfação do paciente com o atendimento.

Os grandes avanços na medicina, especialmente na prática da anestesiologia, ampliaram o escopo funcional do especialista, aumentando assim suas responsabilidades e obrigações profissionais. O anestesiologista está exposto a uma ampla variedade de perigos potenciais que podem ser prejudiciais à sua saúde em geral. Essa exposição inclui situações desafiadoras e inevitáveis tendo que, o profissional, resolvê-las individualmente.

A Covid-19 é um exemplo atual e manifesto do potencial risco biológico ao qual também os anestesiologistas estão expostos cotidianamente em sua prática laborativa, mas também um potencial risco próprio da natureza da atividade laboral. A exaustão emocional, em seu nível mais alto, pode levar à despersonalização

O esgotamento pode afetar a qualidade e a segurança da saúde de várias maneiras. Na verdade, a escassez de recursos humanos pode fazer com que os profissionais dispendam menos tempo com os pacientes e, potencialmente, sejam mais diretivos do que colaborativos e centrados no paciente. Além disso, a síndrome de  burnout tem sido associada a deficiências cognitivas, incluindo déficit de atenção2.

Salyers et al3. realizaram uma metanálise com o objetivo de analisar a associação entre profissionais com síndrome de burnout e a qualidade e segurança. Apesar de não encontrarem uma relação robusta que firmasse categoricamente uma associação entre a síndrome de burnout e a diminuição da qualidade e segurança do paciente (variação entre 5 e 7%).  Embora o tamanho do efeito não seja exuberante, esse estudo representa uma parcela de estudos nos quais resultados estatísticos medianamente aceitáveis contribuem sobremaneira para uma visão do mundo real.

O anestesiologista deve, portanto, saber sopesar o seu comprometimento com o seu trabalho e as obrigações pessoais, inclusive de lazer e vida interior.

Referências bibliográficas:

  1. Dyrbye LN, Shanafelt TD. Physician burnout: a potential threat to successful health care reform. JAMA. 2011 May 18;305(19):2009-10. doi: 10.1001/jama.2011.652. PMID: 21586718
  2. van der Linden D, Keijsers GPJ, Eling P, van Schaijk R. Work stress and attentional difficulties: an initial study on burnout and cognitive failures. Work and Stress. 2005;19:23–36. doi:10.1080/02678370500065275.
  3. Salyers MP, Bonfils KA, Luther L, Firmin RL, White DA, Adams EL, Rollins AL. A Relação Entre Burnout Profissional e Qualidade e Segurança em Saúde: Uma Meta-Análise. J Gen Intern Med. 2017 Abr;32(4):475-482. doi: 10.1007/s11606-016-3886-9. Epub 2016 Out 26. 27785668; PMCID: PMC5377877.

Mês de abril e a Segurança do Paciente

Por dra. Michelle Nacur Lorentz

Dia 1º de abril é celebrado como o Dia Nacional da Segurança do Paciente e dia 7 de abril o Dia Internacional da Saúde.

O conceito de segurança nos cuidados com a saúde sofreu grande impacto em novembro de 1999 com os dados coletados no trabalho “O Erro é Humano”. Tal publicação trouxe à tona uma realidade catastrófica: 4% dos pacientes hospitalizados sofrem algum tipo de evento adverso, sendo o fator humano responsável pela maioria desses eventos! Isso gera em torno de 44mil a 98 mil mortes ao ano nos EUA, matando mais que acidentes de trânsito, câncer de mama ou Aids.

A partir de então, esforços foram enviados, de entidades governamentais e não governamentais, para aumentar a segurança nos sistemas de saúde e passou-se a desenvolver sistemas complexos para mitigar os erros e reduzir a mortalidade.

O Instituto Mundial de Saúde preconizou que os serviços de saúde devem ser seguros, pontuais, efetivos, eficientes, ter equidade e manter o foco no paciente, criando o acrônimo STEEEP.

A World  Alliance for Patient Safety lançou o lema “Primeiro não fazer o mal” e a segurança passou a ser preocupação constante nos cuidados com a saúde.

O elemento segurança tornou-se particularmente importante na anestesia, atividade intrinsecamente perigosa sem ser intrinsecamente terapêutica. Tanto é que a APFS tomou como lema que “nenhum paciente deve sofrer dano devido a anestesia”.

A OMS lançou, entre 2007 e 2008, seu segundo desafio global: “Cirurgias Seguras Salvam Vidas”. Neste sentido, recomendaram a utilização de checklist antes de cada procedimento anestésico-cirúrgico. Em 2009, um trabalho publicado no NEJM demonstrou que, após implementação do checklist antes das cirurgias, as complicações reduziram de 11% para 7% e a mortalidade de 1,5% para 0,7%. Apesar de tal recomendação, muitos serviços ainda não implementaram o checklist rotineiramente e trabalhos posteriores demonstraram que em 10 a 15% dos casos há esquecimento de checar pelo menos 1 item do checklist e que a falha ao checar é responsável por 22 a 33% dos incidentes críticos em anestesia.

Em 2017,  H. Higsham e B Baxendall publicaram artigo no BJA demonstrando que os cuidados com a saúde são atividades de alto risco, com maior mortalidade que escalar montanhas ou pular de Bungee Jumping.

Portanto, esforços contínuos devem ser envidados visando aumentar a segurança do paciente, a redução ou mitigação de atos não seguros nos sistemas de assistência à saúde, além da utilização de melhores práticas para conduzirem aos melhores resultados. 

No âmbito individual recomenda-se atualização científica, compromisso, atenção, treinamento em simulação e boa comunicação com o cirurgião. Na esfera da equipe, recomenda-se trabalhar as competências técnicas e habilidades não técnicas, autonomia, baixa dependência do gestor e mecanismos de autocorreção. Na coordenação, recomenda-se defender os interesses da equipe, comunicação adequada, resolução dos conflitos de forma clara e transparente, valorização do indivíduo e fornecimento do feedback, de forma a tornar o coordenador um líder e não apenas um chefe. Da mesma forma as reuniões periódicas, treinamento contínuo e debriefing tornariam a equipe mais eficiente aproximando-a das equipes de alta performance. Com tudo isto, conseguiríamos transformar a cultura da culpa em uma cultura de segurança. 

Referências:

  1. N Engl J Med 2009; 360: 470-479.
  2. Anesth Analg 2015, vol 121, 4: 1097-1102.
  3. Brit J Anaesth 2017; 119 (S1): il06-il14.

Núcleo de Gestão de Trabalho do Anestesiologista

A Sociedade Brasileira de Anestesiologia (SBA) não possui prerrogativas legais para negociações trabalhistas e honorários, próprias dos sindicatos e outros organismos, entretanto, considerando a missão de Formar – Educar – Certificar – Representar, compromete-se a acompanhar, discutir e orientar seus associados sobre os rumos da valoração da prática laboral do anestesista.

>Saiba mais sobre o NGTA no SBA Podcast

Com base nisso, surgiu o Núcleo de Gestão do Trabalho do Anestesiologista (NGTA), lançado no final de janeiro, durante um webinar da Defesa Profissional. O projeto tem o propósito de promover ações transformadoras da lida do anestesiologista por meio da educação e formação nas concepções atuais de gestão em saúde.

Como objetivo primário, o NGTA irá promover, no âmbito da SBA, a ampla discussão de temas relacionados à valoração do trabalho do anestesiologista, especialmente aqueles relacionados à qualidade e discriminação dos aspectos que sejam considerados, ou possam vir a ser, incrementos na participação valorativa da sua atuação.

O NGTA é coordenado pelo dr. Luis Antonio Diego, diretor de Defesa Profissional da SBA, e conta com a participação do dr. Augusto Takaschima, diretor presidente da SBA, e do dr. Luiz Fernando Falcão, diretor de Relações Internacionais, além dos membros efetivos:

  • Dr. André Luis Ottoboni (Saesp)
  • Dr. Mauro P. de Azevedo (Saerj)
  • Dr. Pablo Detoni (Saeb)
  • Dr. Guinther G. Badessa (Saesp)
  • Dr. Wagner de Sá (Febracan)
  • Dr. Carlos Galhardo (Saerj)

Sobre a quebra de Paradigmas

Por Michelle Nacur Lorentz

Prezados colegas,

Tenho pensado muito sobre as normas, condutas e comportamentos que formam e sempre formaram o padrão do anestesiologista.

E vejo com alegria que, da mesma forma que esses padrões preestabelecidos moldaram nosso comportamento profissional por muitos anos, acontecimentos recentes nos auxiliaram no sentido de nos desenvolver na ciência, nas habilidades não técnicas e no crescimento pessoal.

Rompemos barreiras. Hoje atuamos em todos os setores dos hospitais, somos altamente preparados para o atendimento da PCR, aceitamos inovações e incorporamos mudanças.

Atuando em todas as frentes, fomos o vetor fundamental para o atendimento de pacientes da Covid-19. Nós salvamos vidas e mudamos prognósticos.

Não somos meros “intubadores”. Somos fundamentais, atuamos com maestria na tênue linha que separa a vida da morte. Parece que estamos começando a ser reconhecidos pelos nossos pares, mas, mais importante que isso, pelos nossos pacientes.

Penso que há algo de transcendente em nossa atividade profissional. E isso é algo maravilhoso!

Saímos da nossa zona de conforto e quebramos paradigmas. Estamos nos superando, nos tornando profissionais mais completos e caminhando para nos tornar a melhor versão de nós mesmos.

Orgulho de ser anestesiologista!