10 passos para a teleconsulta pré-anestésica (TCPA)

Por dr. Antônio Roberto Carraretto

Com a chegada da pandemia, a anestesiologia sofreu grandes mudanças na prática e entre elas a da Avaliação Pré-Anestésica (APA).

1- Escolher uma plataforma de comunicação com os requisitos da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) para o armazenamento dos dados da consulta e comunicação por áudio e vídeo(1). As plataformas de mídias sociais, sem estes requisitos, não devem ser utilizadas.

2- Escolher um sistema capaz de gerar uma documentação, a ser enviada para o paciente, que deve constar no mínimo de: 1) Ficha de APA (FAPA) com o registro da Avaliação Clínica durante a coleta de dados do paciente; 2) Orientações sobre o período pré-operatório, como: jejum, uso das medicações e outras julgadas importantes; 3) Termo de Consentimento Livre e Esclarecido sobre o ato anestésico(2) .

3- Apresentar-se e identificar o paciente, solicitando a permissão para a gravação, caso ocorra. A linguagem da comunicação deve ser clara e adequada ao nível de entendimento do paciente (ou seu auxiliar).

4- Desenvolver o relacionamento médico-paciente explicando-lhe: 1) como transcorrerá a consulta e que vai auxiliá-lo (inclusive nas dificuldades técnicas); 2) que o anestesiologista do ato irá verificar as informações e reexaminá-lo e 3) que está disponível para o esclarecimento de dúvidas.

5- Verificar e anotar na FAPA a história clínica, as observações de outros médicos, as medicações em uso, histórias de alergias, procedimentos anestésicos anteriores e eventos de importância e a história familiar (2).

6- O exame físico, apesar de possível na maioria das consultas, pode ser limitado pela qualidade das imagens durante a conexão, bem como pelo grau de entendimento do paciente. Na via aérea podemos avaliar a abertura da boca (inserção dos 3 dedos), mordedura do lábio superior, alinhamento da arcada dentária superior com a inferior, presença de próteses móveis e implantes, visão geral do pescoço com flexão e extensão. Poderão ser observadas e anotadas outras alterações indicadas pelo paciente.

7- A verificação dos resultados dos exames complementares poderá ser realizada por: 1) envio prévio dos exames, pelo paciente na plataforma apropriada; 2) informações do paciente de que o médico já viu e atestou normalidade; 3) leitura de exames específicos, baseados na história clínica (quanto está a sua glicose?). A visualização dos papéis, pela câmera do paciente, de forma rotineira não é prática. Informar que os exames serão revistos pelo anestesiologista (2).

8- Pacientes pediátricos, dependendo da idade, devem ser auxiliados pelos pais ou responsável, identificado e anotado, para melhor precisão das informações (3). Pacientes idosos, sem capacidade de operar a tecnologia, podem ser auxiliados por pessoa de confiança, também identificados e anotados. Na ocasião, a verificação do grau de fragilidade e limitações pode determinar a condução para uma consulta presencial (4) .

9- Ao fim da consulta, verificar o entendimento da consulta com as perguntas: 1) O Sr./Sra. acha que eu perguntei tudo sobre sua saúde ou tem mais alguma coisa para acrescentar? 2) Conseguiu entender tudo o que conversamos ou ainda tem alguma dúvida? 3) Posso ajudar em algo mais?

10- Antes de encerrar, esclarecer sobre como serão enviados os documentos a serem impressos a levados no dia do procedimento e finalizando: 1) verifique o grau de entendimento e satisfação do paciente; 2) agradeça a oportunidade de atendê-lo; 3) disponibilize-se para outro atendimento.

– A TCPA, apesar de suas limitações, deverá permanecer na prática, mas não hesite em encaminhar para o atendimento presencial caso se sinta impossibilitado de proceder a avaliação. Neste momento, só atendemos pacientes de estado físico ASA I e II (5) . Os preceitos éticos e a obediência as regulamentações são as mesmas do atendimento presencial.

– A prática desta rotina permite a realização de uma APA eficiente e com um sorriso de satisfação e agradecimento por uma imensa maioria dos pacientes.


Referências Bibliográficas

1- Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD -2018/19)
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2018/Lei/L13709compilado.htm (acessado em: 11/06/2021)

2- CFM: Resolução 2.174/2017, https://sistemas.cfm.org.br/normas/visualizar/resolucoes/BR/2017/2174  (acessado em: 11/06/2021)

3- CFM Parecer 25/2013, https://sistemas.cfm.org.br/normas/visualizar/pareceres/BR/2013/25  (acessado em: 11/06/2021)

4- Rodrigues, M.K. et al. J Frailty Aging. 2021;10(1):38-43.

5- SBA: Recomendações da SBA para teleconsulta pré-anestésica para cirurgias eletivas durante a vigência da Covid-19:

https://www.sbahq.org/recomendacoes-da-sba-para-teleconsulta-pre-anestesica-para-cirurgias-eletivas-durante-a-vigencia-da-covid-19/  (acessado em: 11/06/2021)


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Fundamentos Jurídicos para o Anestesiologista

O Curso Fundamentos Jurídicos para o Anestesiologista tem o objetivo de apresentar aos anestesiologistas sócios da SBA noções do conhecimento jurídico e funcionamento do arcabouço judiciário em nosso país, assim como melhor interpretar a legislação vigente e orientar a sua atuação prática dentro da norma jurídica, deontológica, moral e ética.

A cada módulo, comprovada a permanência de 70%, o participante receberá certificado de participação e pontuação no CEPE-A. O mesmo percentual de presença será considerado para a emissão de certificado ao fim do curso.

Periodicidade: Mensal
Datas: todo 3ª sábado de cada mês
Início: 20 de março 2021
Término: 4 de dezembro 2021
Horário: das 10h às 12h

  • Módulo 1 –  Responsabilidade Civil, o que o Médico Deve Saber
    Data: 20/3/2021
    Horário: 10h às 12h

Professores responsáveis – Celso Papaleo e Luis Antonio Diego

Ementa: O Direito visto além da norma e da Lei; Ordenamento Jurídico Brasileiro; Normas Jurídicas; Tramitação do Processo Judicial; Mandado de Segurança; Resoluções.
Inscrição Encerrada


  • Módulo 2 – Associações e Órgãos de Classe – Deveres e Poderes
    Data: 17/4/2021
    Horário: 10h às 12h

Professores responsáveis – José Abelardo de Menezes e Paula Fialho

Ementa: Representatividade; Fundamento Legal; Funções; Limites; Funcionamento; Poder de Polícia; Vantagens e Benefícios; Poder de Fiscalização; Processo Administrativo.
Inscrição Encerrada


  • Módulo 3 – Principais Leis e Códigos relacionados ao exercício profissional do médico anestesiologista
    Data: 15/5/2021
    Horário: 10h às 12h

Professores responsáveis – Celso Papaleo e Jedson dos Santos Nascimento

Ementa: Código de Ética Médica; Resolução CFM nº. 2.174/2017; Lei nº. 12.842/2013; Resolução nº. 2.271/2020; Código de Defesa do Consumidor; Código Civil; Jurisprudências.

Inscrições Encerradas


  • Módulo 4 – A Ética, a Moral e o Direito
    Data: 19/6/2021
    Horário: 10h às 12h

Professores responsáveis – José Abelardo de Menezes e Paula Fialho

Ementa: A Sociedade Contemporânea; Noções de Ética; Ética e Moral; Moral e Direito; Teoria Tridimensional do Direito; Justiça Social; Teoria do Mínimo Ético; Viés Social do Direito.
Inscrição Encerrada


  • Módulo 5 – As Relações de Trabalho no Setor Saúde
    Data: 22/7/2021
    Horário: 10h às 12h

Professor responsável – Pablo Detoni

Ementa: Contratualização; Diferenças entre Pessoa Física e Jurídica; Relação Trabalhista x Código de Ética.
Inscrição aberta


  • Módulo 6 – A Lei Geral de Proteção de Dados e a Medicina
    Data: 26/8/2021
    Horário: 10h às 12h

Professores responsáveis – Sérgio Boschetti e Antonio Roberto Carraretto

Ementa: Introdução à Proteção de Dados; Agentes de Tratamento dos Dados; Dados Sensíveis; Responsabilidade e Ressarcimento de Danos; Direito dos Titulares de Dados Pessoais; Obrigações do Controlador, Operador e Encarregado, Telemedicina e Prontuários Eletrônicos.


  • Módulo 7 – “Compliance” Corporativo e a Prática Anestesiológica
    Data: 23/9/2021
    Horário: 10h às 12h

Professores responsáveis – Celso Cézar Papaleo Neto e Luis Antonio Diego

Ementa: Compliance, Governança e Auditoria Interna; Pilares do Programa de Integridade; Cultura, Código de Conduta e Políticas.


  • Módulo 8 – A Prática do “Disclosure” no Setor Saúde Brasileiro
    Data: 30/10/2021
    Horário: 10h às 12h

Professores responsáveis – Luis Antonio Diego e Celso Cézar Papaleo Neto

Ementa: Questões Éticas; Questões Legais; Processo de Estruturação da Comunicação com o Paciente e seus Familiares; Disclosure como forma de Corrigir Falhas, Mudar Processos e Evitar que Eventos Danosos se Repitam; Segurança do Paciente;


  • Módulo 9 – Análise Crítica das Principais Demandas Jurídicas à SBA I
    Data: 27/11/2021
    Horário: 10h às 12h

Professores responsáveis – Luis Antonio Diego e Celso Papaleo

Ementa: Estudos de Casos.


  • Módulo 10 – Análise Crítica das Principais Demandas Jurídicas à SBA II
    Data: 4/12/2021
    Horário: 10h às 12h

Professores responsáveis – Luis Antonio Diego e Celso Papaleo

Ementa: Estudos de Casos.


SBA Podcast #11: Controle de Catástrofes Hospitalares

No episódio 11 do SBA Podcast, o podcaster do Medicina do Conhecimento, dr. Pablo Gusman e dr. Luis Antonio dos Santos Diego, diretor do Departamento de Defesa Profissional da SBA, conversaram com dr. João de Lucena Gonçalves, membro da Câmara Técnica de Segurança do Paciente do CRM Rio de Janeiro, membro do Comitê de Segurança do Paciente da Secretaria Estadual de Saúde do RJ e consultor para Acreditação, Qualidade e Segurança do Paciente.

O tema da vez foi o Controle de Catástrofes Hospitalares:


Artigo | Segurança do paciente: a importância do comprometimento

Por Rogério Alves Ribeiro

Evitar danos ao paciente é intrínseco ao trabalho dos profissionais de saúde, e Hipócrates ajudou a estabelecer esse precedente ao dizer: “O médico deve […] ter dois objetivos especiais com relação à doença, a saber, fazer o bem ou não fazer nenhum dano.”. No entanto, a medicina contemporânea ainda luta para cumprir sua missão principal. Há mais de 40 anos, uma revisão de 21 mil prontuários em 23 hospitais da Califórnia (EUA) observou uma incidência de 4,6% de eventos adversos em pacientes hospitalizados. Em 1999, um relatório marcou a história dos estudos sobre segurança do paciente ao revelar que o erro é fruto de sistemas e processos falhos. Dez anos mais tarde, um artigo demonstrou que ainda não se cumpriam processos de maneira segura como era necessário e que lideranças fortes e sistemas não punitivos seriam essenciais para reduzir os eventos adversos.  

Apesar de todos os esforços, chega-se em 2020 com dados impressionantes sobre eventos adversos e conhecimento de que a maioria deles poderia ser evitada. Muitas instituições ainda lidam com a cultura punitiva e a ausência de gerenciamento de risco. Essas informações são comprovadas por artigos especializados, mas também rotineiramente nos noticiários e nas conversas entre profissionais. Além dos dados notificados, há que se admitir a ocorrência de subnotificações, o que torna essa situação alarmante e reveladora de uma grande lacuna entre a segurança necessária e a oferecida. 

A elaboração da segurança do paciente procura se basear na segurança dos passageiros da aviação comercial. No entanto, constata-se um abismo entre ambas, verificado pelos inúmeros artigos publicados que comparam a rotina de pilotos e comissários de bordo com a dos profissionais de saúde. Afirma-se que é muito mais seguro viajar de avião do que ser admitido em um hospital. Vive-se, portanto, uma situação paradoxal, em que artigos referentes à segurança do paciente são publicados em grande quantidade, hospitais desenvolvem campanhas diversas, instituições realizam eventos referentes às metas internacionais de segurança e as organizações acreditadoras solicitam a atuação dos serviços certificados em políticas de segurança. Então, por que tantos eventos adversos evitáveis ainda ocorrem nos estabelecimentos de saúde? Por que números impressionantes não geram medidas eficazes para reduzir o problema? É importante frisar que um evento adverso não significa obrigatoriamente que houve erro ou negligência, mas significa que houve uma falha que gerou um resultado assistencial indesejado.


Inscrições abertas. 5º Congresso Internacional Sabará de Saúde Infantil.

As inscrições já estão abertas para o 5º Congresso Internacional Sabará de Saúde Infantil. Por conta da pandemia, este ano o Congresso será realizado de 19 a 21 de novembro em formato 100% online. Os sócios da SBA podem efetuar a inscrição com desconto ao selecionar a opção “Médicos Membros de Sociedades Apoiadoras”.

As dezenas de palestras e simpósios em diversos temas em Pediatria são abertas para todos os profissionais da saúde, estudantes e interessados em saúde infantil.

A programação conta ainda com a 3ª edição do Prêmio de Pesquisa em Saúde do Instituto PENSI.

Para inscrições, programação e mais informações:
http://5congressosabara.institutopensi.org.br/